A Terra Celeste e o Mundo de Luz

O ano de 2015 foi proclamado pela ONU o Ano Internacional da Luz. 2015 nos convida não somente a considerar o papel das tecnologias ópticas no nosso cotidiano, mas também a nos conscientizarmos da importância das nossas reflexões sobre a natureza da luz para a formação da imagem que temos de nós mesmos e do mundo que habitamos. A humanidade sempre foi fascinada pela Luz, em especial quando esta se concretiza nos corpos celestes da astronomia, essa ciência tão antiga. Na Europa, durante o século XIII, o “Século da Luz”, elabora-se uma cosmologia na qual a origem do universo é explicada pela capacidade de autogeração da luz. Em consequência, “não há trevas absolutas em parte alguma da criação”. A cosmologia luminosa pertence uma vasta Teoria da Luz, uma Luminologia, que coloca a óptica como a primeira ciência física ao mesmo que fundamenta uma estética e uma teoria cognitiva. E a imaginação é a uma faculdade cognitiva central. A revolução luminológica da Europa medieval ocorre em ressonância com os desenvolvimentos em curso e anteriores da óptica e da teosofia da luz no mundo islâmico. Em vista da fecundidade ilimitada da luz, esta nossa Terra parece muito acanhada perante a vastidão do Céu. Assim, um tema que surge recorrentemente é o da Terra Celeste. Ibn Arabi, no seu tratado “A Terra que foi criada da sobra da argila de Adão”, fala desta Terra imensa: “Como Deus dispôs a Esfera Englobante Universal e tudo que ela contém, o Firmamento, os Céus e as Terras, os mundos subterrâneos, todos os infernos e paraísos, é todo o conjunto de nosso universo que se encontra integralmente nesta Terra, e contudo, com relação a esta Terra, todo este conjunto não é senão como um anel perdido num deserto da nossa Terra.” Em nosso curso faremos uma exploração da geografia desta Terra Celeste, cuja própria percepção leva ao desenvolvimento da Imaginação Ativa, que nos permite ver o Universo em toda sua amplidão e profundidade.

Amâncio Friaça

Astrofísico, professor livre-docente do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). Pesquisador nas áreas de Astronomia Extragaláctica, Cosmologia, Transdisciplinaridade e Astrobiologia. É responsável pela disciplina de astrobiologia AGA0316 “A Vida no Contexto Cósmico”, oferecida pelo IAG-USP, e organizou várias reuniões científicas relacionadas à astrobiologia. É coordenador do Programa do Mestrado Profissional em Ensino da Astronomia do IAG/USP, sendo responsável pelas disciplinas de astrobiologia, astrofísica extragaláctica e história e filosofia da ciência desse programa.

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