Projetos | Comunidade indígena Tekoá Itanhaen

Implantação de um Programa de Segurança alimentar e nutricional na comunidade indígena Tekoá Itanhaen

Introdução 


Aproximadamente 350 mil índios vivem em terras indígenas no Brasil, e destes, 35 mil são Guaranis, constituindo a mais numerosa população indígena do país.

São falantes da língua Guarani, pertencente ao tronco lingüístico Tupi. Ocupam uma faixa extensa de terras que se estende do Rio Grande do Sul até o Espírito Santo, mas suas terras demarcadas são poucas e pequenas.

Em virtude das crescentes pressões exercidas pela sociedade envolvente, os Guaranis perderam áreas que jamais poderão retomar e desviaram sua trajetória em função do “progresso” de nossa civilização. Conseguiram manter algumas aldeias, que são pontos vitais na configuração de seu espaço e presença junto à Serra do Mar e à Mata Atlântica.

Atualmente, as crianças não têm segurança alimentar, constantemente sofrem com problemas de saúde agravados pela falta de uma alimentação adequada e o desempenho escolar é visivelmente prejudicado. A quantidade de comida a qual têm acesso não é suficiente e faltam alimentos que agreguem um maior valor nutritivo à refeição.

O grupo indígena em questão recebeu esta terra, para construção de uma nova aldeia, em benefício à duplicação da BR 101, como uma forma de reduzir o impacto socioambiental na comunidade, através do Programa de Compensação Fundiária e Ambiental de Apoio às comunidades Indígenas Guarani, convênio entre o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT) e a FUNAI.

A conquista da nova terra, tão sonhada por esta comunidade guarani, não veio acompanhada de demais benfeitorias e suporte que possibilitem a construção e organização do Tekoá, combinado com a implantação de programas de revitalização sócio-econômica e com o uso controlado dos recursos naturais, de modo a conservar sua cultura e seu território.

TEKOÁ = Espaço harmônico da aldeia onde é possível viver a cultura Guarani.

O presente projeto visa erradicar a má nutrição e a insegurança alimentar na aldeia indígena Tekoá Itanhaen, através de ações que partem desde a produção e cultivo de alimentos, até o planejamento nutricional e funcionamento de uma cozinha comunitária. Além de possibilitar o acesso aos alimentos, a cozinha comunitária e o refeitório servirão como um espaço de convivência social, onde serão realizadas atividades de resgate da alimentação tradicional guarani e oficinas de capacitação para o manuseio da cozinha. 

Objetivo Geral 

Garantir o acesso a alimentos de qualidade, em quantidade adequada, gerando segurança alimentar e nutricional na aldeia indígena Tekoá Itanhaen no município de Tijucas, litoral de Santa Catarina.

Objetivos específicos 

• Construir e equipar uma cozinha comunitária e refeitório, com a capacidade de servir 180 refeições diárias;
• Implantar atividades de subsistência alimentar;
• Desenvolver atividades educativas para a alimentação saudável e nutritiva, respeitando a cultura e os costumes Guarani;
• Favorecer o resgate da alimentação tradicional Guarani e contribuir para a perpetuação de sua cultura;
• Garantir a autonomia e sustentabilidade deste programa pela própria Aldeia Tekoá Itanhaen.

Público Alvo 

Comunidade indígena Guarani, na localidade da Aldeia Tekoá Itanhaen, bairro de Timbé, no município de Tijucas, litoral do Estado de Santa Catarina, envolvendo 22 famílias, com total de 105 pessoas, sendo 50 adultos e 55 crianças.

Metodologia 

As ações do projeto serão desenvolvidas de forma participativa, prevendo o envolvimento do público alvo em todas as etapas, desde a discussão inicial do projeto até sua implantação, criando condições para que a própria comunidade dê seqüência ao projeto após seu encerramento.

Os trabalhos na cozinha serão desenvolvidos pelos integrantes da aldeia, de forma comunitária e rotativa, divididos em grupos de trabalhos, com lideranças determinadas. Os alimentos utilizados na cozinha serão de acordo com a alimentação tradicional Guarani. 

Avaliação 


A avaliação do processo irá considerar a participação do público alvo, o envolvimento e empenho das equipes de trabalho e coordenação, a motivação e o estímulo em assumir a co-responsabilidade pelo projeto como um todo, e a interação entre as equipes de trabalho.

Visando a sustentabilidade econômica da aldeia, outros projetos serão efetuados.

Texto: Maria Giovanna Guimarães e Isilda Mendonça


 

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