Kayapó Mebêngôkre (Pará) - Cantos, Danças e Pinturas Corporais

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Foto de: André Amorim

O termo "kayapó" foi utilizado pela primeira vez no início do século XIX, porém os próprios índios não se designam por esse nome que foi lançado por grupos vizinhos e significa "aqueles que se assemelham aos macacos" (uma ligação com um ritual em que usam máscaras de macaco). Os Kayapó preferem se autodenominar "mebêngôkre", que significa "os homens do buraco/lugar d'água". A língua falada pelos Kayapó pertence à família lingüística Jê, do tronco Jê. Apesar de existirem diferenças entre os dialetos falados entre os vários grupos da etnia, todos se reconhecem como participantes de uma cultura comum. Os Kayapó têm a oratória como uma prática social valorizada. Eles se definem como aqueles que falam bem, bonito (Kaben mei), em oposição a todos os grupos que não falam a sua língua. A economia dos Kayapó é baseada na caça e na prática da coivara (técnica agrícola tradicional de comunidades quilombolas que inicia-se através da derrubada da mata nativa, seguida pela queima da vegetação; há, então, a plantação intercalada de várias culturas, como o arroz, o milho e o feijão, durante três anos). Existe ainda uma divisão sexual do trabalho. As mulheres cuidam do cultivo das roças, da preparação dos alimentos e da educação das crianças; os homens fazem a caça, a pesca, as caminhadas e a fabricação de objetos e ferramentas. As aldeias Kayapó tradicionais são construídas em um círculo de casas ao redor de uma grande praça. No meio da aldeia está situada a casa dos homens, onde as associações políticas, formadas por homens, se reúnem. Esse centro simboliza a origem da organização social e ritual dos Kayapó, que é de grande complexidade. A periferia da aldeia é constituída por casas repartidas de modo regular, nas quais habitam famílias extensas. Os Kayapó são monogâmicos. Quando casam, os homens se mudam para o teto da esposa, enquanto as mulheres jamais deixam sua residência materna. Teoricamente, uma casa abriga várias famílias conjugais: uma avó e seu marido, suas filhas com seus esposos e crianças. Quando o número de moradores fica em torno de 40 pessoas, o grupo residencial sofre uma cisão e constrói uma ou mais casas novas próximas à primeira.

Fonte: Encontro de Culturas