Fulni-ô (Pernambuco) - Vivências de danças e cantos

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Os cantos tem papel fundamental na religiosidade e transmissão da cultura oral. Todos os cantos sao sagrados e tem a busca espiritual como princípio. A busca de paz e harmonia para vida, assim como agradecimento. Os fulni-ô, também conhecidos como carnijó e formió, são um grupo indígena que habita próximo ao rio Ipanema, no município de Águas Belas, no estado de Pernambuco, no Brasil.

É o único grupo do Nordeste que conseguiu manter viva e ativa sua própria língua, o Ia-tê, assim como um ritual a que chamam Ouricuri, que atualmente realizam no maior sigilo. Na parte central das terras da reserva indígena se encontra assentada a cidade de Águas Belas rodeada totalmente pelo território Fulniô. O grupo surgiu a partir de um reagrupamento de diversos povos indígenas que habitavam a região. Documentos indicam que, desde a década de 1700, os indígenas daquela região enfrentam problemas com a ocupação não indígena da região.

A distribuição de terras no Brasil, a partir das capitanias hereditárias, serviu como um mecanismo de dispersão de populações nativas, como ocorreu, por exemplo, nas terras interioranas de Pernambuco. Os indígenas fulni-ô resistiram à ocupação não índia, mantendo, até hoje, por exemplo, o ritual do ouricuri. Atualmente, essa etnia tem grande relação com o mundo da população não indígena, uma vez que a cidade de Águas Belas foi fundada dentro do território indígena Fulni-ô, o que alterou profundamente sua organização e cultura. Com uma seca de mais de sete anos que devastou a agricultura de subsistência, este povo passou a ter no artesanato e nas apresentações culturais os principais caminhos para a manutenção econômica.

Exímios artesãos, este povo tem uma ligação com as aves que só um povo que sofre com a ausência de suas matas, rios e caças, poderia ter. Este povo viaja o Brasil para dividir com todos a sabedoria de um povo que conquistou o reconhecimento de suas terras defendendo a coroa na Guerra do Paraguai. Eles só não imaginavam que ainda assim teriam os limites territoriais de suas terras desrespeitados e que viveriam hoje um dos mais difíceis momentos para a reafirmação de sua identidade.


Fonte: Encontro de Culturas